Renascimento

Idade Moderna (1453-1789)

Textos

O HOMEM EM BUSCA DA VERDADE

Durante a Idade Média a Igreja, grande detentora do poder ideológico, explicava através da fé todos os fenômenos e acontecimentos. Na grande maioria das vezes estes eram castigos divinos ou milagres, verdades inquestionáveis escritas na Bíblia. O bom homem na Idade Média era aquele que não questionava, submisso a Deus, aceitava todas essas verdades e por elas, se preciso fosse, lutaria e morreria bravamente.

No entanto, com o crescimento do comércio e das cidades surge uma nova camada social, a burguesia, que insatisfeita com as imposições feitas pela igreja e ansiosa por encontrar explicações concretas para o que antes era explicado de forma tão abstrata, aos poucos vinha derrubando alguns dos pilares do sistema feudal: o poder dos senhores feudais (muitos deles membros do clero), a economia fechada de subsistência e agora queriam também pôr por terra, um dos pilares mais sólidos, o poder exercido pela Igreja. Detentores do poder econômico, esses novos homens da sociedade moderna, passaram a custear e a financiar projetos e estudos levantando e mantendo centros de pesquisas.

Claro que todos esses movimentos e apoios tinham como objetivo ampliar as possibilidades de enriquecimento e de prestígio desse novo setor da sociedade.

Agora, o homem ideal era aquele que questionava, que buscava, a qualquer preço, a verdade. Através da observação e de experiências, ansiava encontrar respostas para tantas perguntas. Foram muitos os homens que se destacaram nesse período, porém, foi Leonardo Da Vinci  quem mais despontou.

Sempre muito atento às questões de sua época, Da Vinci, mais um experimentador do que um teórico, mais engenheiro do que cientista, projetou armas, cidades, máquinas voadoras, submarinos. Grande parte não saiu do papel, porém, já esboçava as futuras invenções, algumas desenvolvidas séculos mais tarde.

Atendendo aos interesses dos reis e governantes italianos envolvidos em constantes guerras, projetou armas como a besta gigante, besta de disparo potencializado, morteiros com projéteis explosivos, pontes móveis que poderiam ser facilmente carregadas, canhão de canos móveis e um carro blindado do qual o homem pudesse atirar em seu inimigo de forma protegida.

Diante do caos das cidades da época, que cresciam de maneira desorganizada, idealizou a reurbanização de Milão  com ruas retas e pavimentadas, uma complexa rede de esgoto, dois níveis de calçadas, uma superior por onde transitariam os pedestres e uma inferior para as carroças e cavalos. Esboçou um seguro e amplo porto circular.

Tentou por várias vezes, inventar uma máquina que permitisse ao homem voar. Um grande sonho! Em 1500, projetou o “parafuso voador” muito parecido com o helicóptero e desenvolveu a idéia de que um homem poderia se atirar de um lugar alto, sem nenhum risco, se estivesse agarrado a um pedaço de pano, nada mais do que o pára-quedas.

Em busca de explicações para as doenças que matavam inúmeras pessoas, se aprofundou na anatomia, deixando muitos desenhos e estudos que demonstravam a prática da dissecação, tão contestada pela Igreja.

Enfim, as pesquisas, invenções e experiências de Leonardo Da Vinci não eram apenas formulações teóricas, mas estavam voltadas para solucionar os problemas do cotidiano.

Porém, Da Vinci, em sua época, não era uma voz isolada. Outros pensadores e cientistas, desafiando a Igreja e seus dogmas, desenvolveram teorias e realizaram descobertas em diferentes campos (astronomia, física, química, medicina) saciando cada vez mais a sede de conhecimento do homem moderno.

Inspirados nos antigos gregos e nos médicos árabes, muitos deixaram de lado as práticas tradicionais, permitidas pela Igreja e começaram a buscar as causas das doenças naturais e um maior conhecimento do corpo humano.

André Vesálio e Miguel de Servet descobriram a pequena circulação do sangue. Fracastori pesquisou e descobriu as causas das infecções, bem como desenvolveu novas formas de tratamento para algumas doenças.


Nicolau Copérnico
(1473-1543)

Porém, um dos maiores embates com a Igreja foi a teoria do heliocentrismo desenvolvida por Nicolau Copérnico. Em 1543 ele lançou um livro que derrubava a concepção medieval de que a Terra era o centro do universo e todos os outros astros giravam em torno dela, afirmando ser o sol o centro do sistema. Temendo a reação da Igreja, não assumiu isso como uma verdade, mas apenas como uma hipótese.


Giordano Bruno (1543-1600)

Em 1600, Giordano Bruno foi condenado à fogueira por confirmar a teoria de Copérnico e indicar a possibilidade de existir vida em outros planetas.


Galileu Galilei (1564-1642)

Galileu Galilei, nessa mesma época, também mostrou-se adepto às idéias de Copérnico. Para aprimorar seus estudos desenvolveu a primeira luneta, a aperfeiçoou e criou o telescópio. Dessa forma, pôde observar que havia sombra na lua e em outros planetas, descobriu milhares de astros impossíveis de se ver a olho nu, derrubando a teoria mantida pela Igreja de que os astros foram criados por Deus para que os homens pudessem admirá-los.
Pelas suas descobertas, matematicamente comprovadas, foi duramente perseguido pela Igreja, torturado pelo Tribunal da Inquisição e mesmo confessando não acreditar em tudo o que havia desenvolvido, acabou sendo condenado à prisão perpétua.

Aos poucos essas idéias, projetos e invenções foram sendo assimilados pela sociedade. Os benefícios trazidos por eles eram muitos e agradavam a vários setores da sociedade, desde o mais humilde camponês até o rei.

Com os conhecimentos adquiridos na medicina, muitas doenças foram evitadas e outras puderam ser tratadas.

A matemática possibilitou o desenvolvimento da arquitetura, podendo-se planejar de forma econômica a construção de casas, palácios, igrejas.

Os aprimoramentos no sistema de abastecimento de água e das redes de esgoto melhoraram a vida urbana.

Os reis tinham interesse no desenvolvimento de novas armas para que pudessem se defender dos inimigos e dominar outros povos.

As novas técnicas permitiam aos comerciantes e artesãos uma maior produção e conseqüentemente um maior lucro.

Nas minas, os novos inventos (guindastes, bombas-d’água, vagonetes e galerias) garantiam uma extração de metais preciosos mais eficiente.

Máquinas modernas, movidas pelo vento ou pela água, eram usadas em várias manufaturas, principalmente na fabricação de tecidos.

Aos poucos, a Igreja precisou rever suas concepções e se adequar a essa nova estrutura social, política e econômica com uma nova mentalidade, cada vez mais distante da medieval.


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Última Atualização: quinta-feira, 04 de maio de 2006 às 18:24
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