"EL NIÑO"
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...o mar tem a
capacidade de armazenar massas de água quentes ou frias geradas numa camada profunda e
cobri-las com uma camada rasa pouco significativa durante o verão. Mas apenas para
ressucitá-la, por agitação renovada, durante a seguinte estação tempestuosa.
Os progressos no conhecimento físico-matemático sobre as causas do fenômeno El
Niño, no Oceano Pacífico, e sua influência no clima global vieram confirmar a
tese da "memória oceânica" e suas consequências atmosféricas.
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The Great Globe Gallery
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O fenômeno
conhecido por El Niño , se refere ao aquecimento anormal das águas
superficiais nas porções central e leste do Oceano Pacífico, nas proximidades da
América do Sul, mais particularmente na costa do Peru. A corrente de águas quentes que
ali circula, normalmente, em direção sul no início do verão somente recebe o nome de
El Niño quando a anomalia térmica atinge proporções muito elevadas (em torno de 4 a
6°C). Em termos sazonais o fenômeno ocorre com mais freqüência no período que
antecede o Natal, o que explica a origem do nome,
que significa, em espanhol, "o menino", uma alusão ao menino Jesus, que nasceu
num 25 de dezembro.
O El Niño se faz notar
com maior evidência nas costas peruanas pois as águas frias provenientes do fundo
oceânico (ressurgência) e da Corrente Marinha de Humboldt são ali interceptadas por
águas quentes provenientes do norte e oeste. Esta alteração regional assume dimensões
continentais e planetárias à medida que provoca desarranjos de toda ordem em vários
climas da Terra.
O El Niño é mais
conhecido, sobretudo popularmente, como sendo um fenômeno climático. Esta compreensão,
parcialmente incorreta, decorre da forte influência das condições oceânicas no
comportamento climático, donde se fala da interação oceano-atmosfera. O Anti-El Niño
(também chamado La Niña), ao contrário do El Niño, é representado pelo resfriamento
anormal das águas do Pacífico e também desempenha consideráveis impactos nas
atividades humanas.
Nas últimas duas
décadas, cientistas, estudando as variações climáticas do planeta, descobriram que o
fenômeno El Niño não ocorre sozinho; as variações de temperatura no Pacífico estão
acopladas a variações de pressão
atmosférica, conhecidas como "oscilações sulinas". Leia o texto: Abordagem
dinâmica renova a climatologia.
Essas oscilações foram
descobertas em 1923 pelo climatologista britânico Gilbert Walker, que estava tentando
entender por que a estação chuvosa conhecida como monção deixa de ocorrer na Índia em
certos anos. Walker mostrou que existiam padrões irregulares de oscilação da pressão
sobre o Pacífico que se propagavam de leste a oeste. Essa é a direção oposta do
aquecimento das águas oceânicas que ocorre durante o El Niño. (Possíveis origens do fenômeno)
O aquecimento das águas
que afeta os pescadores peruanos está ligado com a estação chuvosa na Índia e no
Sudeste Asiático por meio da interação entre a dinâmica dos oceanos e da atmosfera.
Esse acoplamento dos oceanos com a atmosfera é um exemplo perfeito de como certos
problemas científicos requerem um tratamento que envolve vários componentes ao mesmo
tempo.
Para que possamos entender
as variações climáticas que afetam um determinado local, como a Amazônia, não basta
estudarmos apenas aquela região isoladamente. Precisamos estudar como o contexto
climático global pode afetar um determinado local. Em estudos climáticos, como talvez em
nenhum outro estudo, a Terra aparece como uma entidade única, em que efeitos locais podem
influenciar o comportamento global e vice-versa.
O fenômeno acoplado do El Niño
com a Oscilação Sulina ocorre, historicamente, com uma frequência média de quatro
anos. Portanto, nos últimos 12 ou 13 anos, em média, o fenômeno deve ter ocorrido em
torno de três vezes. No entanto, ele ocorreu seis vezes desde 1984, o dobro do número
esperado. Mais ainda, sua última ocorrência foi a mais dramática: enquanto normalmente
a variação de temperatura é de 1ºC ou de 1,5ºC, no ciclo de 97 a 98 a temperatura
subiu 4ºC acima da média! (Acompanhe o que a
imprensa dizia em agosto de 1998 sobre o Menino Travesso)
Não é à toa que todos dizem
que o clima tem andado meio louco. O que está havendo? (Impactos
Mundiais do El Niño de 1982-1983)
Os modelos climáticos indicam
que o culpado por essas oscilações é o efeito estufa. "Indicam", porque
nem todos os cientistas concordam com essas conclusões. As incertezas vêm das
limitações dos computadores em realmente simular o clima da Terra em detalhe. De
qualquer forma, os dados climáticos não mentem e estão diretamente acoplados com a
quantidade de gases poluentes na atmosfera.
As nações mais
avançadas tecnologicamente, acompanham o tempo atmosférico no mundo todo através de uma
rede de satélites artificiais e computadores, conectados. Os
empresários desses países só fazem aquisições nas bolsas internacionais de cereais,
assessorados por meteorologistas.
Aqui no Brasil, temos sido
tão ingênuos que até pagamos para que escritórios internacionais de
meteorologia acompanhem, estudem e prevejam o nosso tempo.
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