BIOGRAFIA DE VOLPI VOLPI ENCONTRA EMÍDIO DE SOUZA Volpi foi um morador da periferia paulistana, morador que foi do Cambuci, bairro que jamais abandonou. Foi operário, pintou paredes e decorou casas de granfinos, quando era moda uma sala decorada à maneira árabe, outra à chinesa, outra ainda art-nouveau ou art-déco. Volpi chegou à geometria e aos tons ousados de sua palheta devido ao seu encontro com um pintor primitivo de Itanhaém- Emídio de Souza -, hoje totalmente esquecido, e do alemão Joseph Albers, que observou em uma das bienais paulistas. Emídio de Souza foi esquecido pelos biógrafos de Volpi, mas foi um dos transformadores da trajetória de Volpi. Emídio era um artista primitivo, que geometrizava o espaço de sua tela, enquanto criava tons azuis e rosas, que surpreenderam Volpi, quase os mesmos tons encontrados hoje na obra Volpiana. No início Volpi pintava ao ar livre, com um impressionismo à sua moda, desenhando de forma acadêmica. Foi em um bar de Itanhaém que conheceu Emídio. O pequeno quadro de Emídio estava em um canto do bar e Volpi reconheceu de imediato em seu humilde colega virtudes de coloristas e de construtor de imagens, pois Emídio geometrizava casas e paisagens. Depois foi ao seu atelier , uma pobre tapera, meio caiçara, meio artista, que se sentia honrado de carregar a maleta de itntas do grande Benedito Calixto, seu exemplo maior de artista. Emídio limpara os pincéis do famosos acdêmico Benedito Calixto, o consagrado artista de marinhas. Naquela época, dos anos 30, Volpi já participava das reuniões do Palacete Santa Helena, com os que formariam, mais tarde, o Grupo Santa Helena. O Grupo Santa Helena começou com o aluguel de uma sala do Palacete Santa Helena, na Praça da Sé. Quem alugou a sala 231 fora o antigo pintor Rebolo Gonçalves, mas logo depois outros dividiram o endereço: Mário Zanini, Humberto Rosa, Fúlvio Pennacchi, Aldo Bonadei, Clóvis Graciano e Manuel Martins. Mais tarde aderiram ao grupo mais dois pintores - Alfredo Rizzotti e Alfredo Volpi. Não era um grupo de artistas eruditos, ao contrário, sentiam orgulho de ser artesãos, decoradores, operários da arte, sendo Volpi , inclusive, pintor de paredes, pois precisava manter a família lá no Cambuci. Este grupo de artistas fazia contraponto aos artistas da alta burguesia - Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, entre outros. Alfredo Volpi chegou a dividir o prêmio de melhor pintor nacional da II Bienal de São Paulo com Di Cavalcanti. Enquanto Tarsila do Amaral estudava em Paris e Anita Malfatti, na Alemanha, Alfredo Volpi aprendia pintura só pintando os arredores de São Paulo. A arte de Volpi deslocou-se de um academicismo primário e de um impressionismo caipira para uma simplicidade ingênua de formas e cores. Volpi retornava assim às coisas da cultura brasileira. As fachadas dos casarios de Volpi, começavam assim, a geometrizar-se ,enquanto as cores tornavam-se harmônicas, mais puras e mais reais. Um dos pontos mais retratados por Volpi e Emídio, seu grande influenciador e amigo, foi a praça da cadeia de Itanhaém. Volpi costumava desafiar Emídio para compor aquela paisagem dos ângulos mais difíceis e inusitados. Volpi e Judite, sua esposa ( artista amadora ), participaram muitas vezes de "torneios" com Emídio. Depois disso, Volpi comprava a tela do colega e, mais tarte, presenteava os amigos. Entre as estrelas influenciadoras de seu universo visual estão, obviamente, dois italianos: Margaritone D'Arezzo e Giotto; um francês: Henri Matisse; um alemão: Joseph Albers: e apenas um brasileiro: Emídio de Souza. Na realidade, Volpi ao admirar a obra de Albers, na Bienal de São Paulo, já traçara seu percurso serial de bandeirinhas. Volpi era um experimentador de cromatismos, preocupado com as cores e seus arranjos combinatórios. Criou um ícone, rotulado de bandeirinha, suporte para a pesquisa de cor e a partir dos anos 50 ( final ) e dos anos 60, só a cor teve importância em sua obra. Em meados de 40, já pintara Itanhaém e Mogi das Cruzes de memória, fazendo com as cores arranjos combinatórios, permutações, chegando à pintura -pintura. |
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| Última Atualização: quinta-feira, 04 de maio de 2006 às 18:24 ©1999 Colégio Rainha da Paz. Todos os direitos reservados. |